terça-feira, 10 de março de 2015

Desafio do Oscar: The Broadway Melody (1929)

Então finalmente aqui está o post sobre o primeiro filme do Desafio do Oscar: The Broadway Melody (1929), que ganhou o prêmio de melhor filme. É um dos primeiros musicais feitos, e também foi indicado ao prêmio de melhor atriz (Bessie Love) e melhor diretor (Harry Beaumont).


As irmãs Queenie (Anita Page) e Hank (Bessie Love) são duas atrizes-dançarinas que saem de uma cidade do interior dos Estados Unidos para buscar o sonho do sucesso em Nova York. O também ator Eddie Kerns (Charles King) conta com a presença das irmãs em sua nova peça na Broadway, que lhes dará uma projeção na cena local. Entretanto, Eddie , Queenie, Hank e Jock Warriner (Kenneth Thomson), um membro da alta sociedade nova-iorquina, acabam se envolvendo em um complexo quadrado amoroso.
Como eu gosto de musicais E amo música antiga, esse filme foi um prato cheio pra mim. Além disso,  apenas de todos os seus problemas, os anos 20 e 30 tem todo um charme especial, e ver um filme da época nos ajuda a conhecer um pouco mais da cabeça das pessoas daquela época. Claro que por ser um filme tão antigo, pode nos causar um certo estranhamento a mentalidade das pessoas da época, e às vezes pode ser um pouco difícil distinguir o que seria uma característica comum das pessoas da época, algo de um personagem em específico, ou algo retratado daquela forma por que bem... é cinema, e esteriótipos sempre existem.



O melhor exemplo disso é como Queenie tem o seu talento elogiado, após uma cena da peça em que ela fica para no mastro de um navio apontando para o nada. Sim, isso mesmo. Sério. Acreditem em mim. To falando a verdade! Claro que neste exato momento lembramos que... 1929!

Pensamento da época, ou é o cinema fazendo uma crítica à sociedade?

Há quem diga que este é o pior filme a ter ganho o Oscar de Melhor Filme, mas além de discutível, também acho complicado julgar um filme de 1929 por padrões de hoje. Foi o filme de maior arrecadação no ano em que foi lançado, fez tanto sucesso que três outros filmes com o mesmo nome foram lançados durante a década seguinte, além de ter servido como base para um novo gênero de filmes. E mesmo assim, não é um consenso, me parece que quem faz mais críticas a esse filme é uma parte do grupo dos cinéfilos, tanto que vi mais resenhas indicando o filme do que não indicando.


De qualquer forma, é um bom filme, feito no comecinho do cinema falado, e que possui uma história interessante. Eu particularmente gostei dele como um todo, não é o filme mais memorável que eu já vi, mas certamente valeu o tempo que levei assistindo. Recomendo ele apenas para quem gosta de filmes antigos e de musicais, se esse for o seu caso, aproveite, se não, passe longe pois ele não é para você.


Ficha Técnica

Direção: Harry Beaumont
Produção: Harry Rapf e Irving Thalberg
Roteiro: Edmund Goulding e James Gleason
Fotografia: John Arnold
Música: Nacio Herb Brown

Elenco

Charles King … Eddie Kearns
Anita Page … Queenie Mahoney
Bessie Love … Hank Mahoney
Jed Prouty … Uncle Jed
Kenneth Thomson … Jock Warriner
Edward Dillon … Stage Manager
Mary Doran … Flo
Eddie Kane … Francis Zanfield
J. Emmett Beck … Babe Hatrick
Marshall Ruth … Stew, Mr. Zanfield’s assistant
Drew Demorest … Turpe, Costumer

Curiosidades

  • As músicas originais do filme foram compostas por Arthur Freed e Nacio Herb Brown. A canção clássica Give My Regards to Broadway, de George M. Cohan, também fez sua estréia neste filme.
  • O filme foi lançado pela Metro-Goldwyn-Mayer e foi o primeiro musical daquele estúdio, e o primeiro musical "falante"; nos trinta anos seguintes ao lançamento de The Broadway Melody, a MGM se tornaria conhecida mundialmente por seus musicais.
  • Uma versão "muda" do filme também foi lançada, já que muitas salas de cinemas ainda não possuíam o equipamento de som requerido para a exibição deste filme. Em algumas salas de cinemas de grandes cidades, o número Wedding of the Painted Doll foi exibido colorido (em technicolor) em duas cores.
  • O filme fez muito sucesso, e é considerado um dos melhores exemplos de musicais da antiga Hollywood. Obteve a maior arrecadação com venda de ingressos em 1929.
  • O filme se tornou tão popular, que três outros filmes com títulos similares (Broadway Melody of 1936, Broadway Melody of 1938 e Broadway Melody of 1940) foram lançados pela MGM. Apesar de que não eram sequências no estilo tradicional, todos os filmes apresentavam a mesma história de um grupo de pessoas estrelando uma peça musical de teatro.
  • O filme original também teve um remake, em 1940, chamado Two Girls on Broadway (Duas garotas na Broadway, em português).
  • Outro remake de The Broadway Melody estava planejado para ser filmado em 1942, com Gene Kelly e Eleanor Powell no elenco, mas a produção foi cancelada no último minuto.
  • Broadway Rhythm (Ritmo da Broadway), um musical de 1944 da MGM, era para ter sido intitulado como Broadway Melody of 1944.


Um comentário:

  1. Olá, Thiago! Como vai, tido bem?

    Pelo jeito, você escolheu com chave de ouro o filme da década de 20 para assistir. Não gosto muito de musicais, são um ou outro que me agradaram. Dentre eles, o recente "Walt Disney - bastidores do filme Mary Poppins" que também tem um outro subtítulo como algo do tipo "A verdade nunca revelada". Não chega a ser um musical, mas há vários momentos em que os personagens começam sim a cantarolar os momentos daquilo que está se passando.

    A MGM precisa valorizar esses filmes icônicos, pois está se vendo que essa é uma pérola, até mesmo pode-se considerar um dos alicerces da indústria naquela época, para projetá-la aonde está hoje, no mercado atual. Uma pena que não vejo filmes assim em seus canais fechados na Tv por assinatura. Também, a falta de uma sinopse adequada na hora que vamos "zapear" pelas atrações dos canais, acaba sendo algo que nos desvia, às vezes, de belas produções.

    Imagino o trabalho desses produtores em ter que realizar um filme de forma que tanto o expectador do cinema mudo quanto o outro, daquele que já tem recurso de som, possam entender e se sentirem satisfeitos com o que está lhe sendo mostrado. Não deve ter sido algo muito fácil, não, fazer com que ambos os públicos objetivassem em uma mesma compreensão da evolução da trama.

    Bem interessante esta tua postagem. Obrigado por ter compartilhado aqui.

    Abraços.

    Fabiano Caldeira.

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